Escolher o primeiro gira-discos pode intimidar depressa: correia ou tração direta, pré-amplificador, célula, contrapeso, antiskating… E, no entanto, bastam alguns critérios para fazer uma escolha tranquila, à medida da sua utilização e do equipamento que já tem. Eis o que deve ver num gira-discos para principiantes e, depois, como instalá-lo para que soe bem e dure muitos anos.
Comece pela sua utilização
Antes das características técnicas, faça a si mesmo três perguntas:
- Onde vai ouvir a música? Numa aparelhagem hi-fi com amplificador, em colunas ativas, com auscultadores, numa coluna Bluetooth?
- Que discos? Sobretudo LP de 33 rotações, ou também singles de 45 rotações?
- Até onde quer ir? Prefere pousar o disco e ouvir, ou quer aprender a afinar o gira-discos?
As respostas orientam a maior parte das escolhas que se seguem.
Os critérios para escolher um gira-discos
A tração: correia ou direta
O prato pode ser posto a rodar de duas formas.
- Por correia: o motor, colocado ao lado, faz girar o prato através de uma correia de borracha. Esta solução isola bem o prato das vibrações do motor e é a mais comum nos gira-discos pensados para ouvir em casa. A correia gasta-se com o tempo e substitui-se.
- Direta: o prato assenta diretamente sobre o motor. O arranque é rápido e a velocidade estável, daí a sua popularidade entre os DJ. Não há correia para trocar.
Para ouvir em casa, ambas servem. Confirme sobretudo que o gira-discos lê as velocidades de que precisa: 33 ⅓ e 45 rotações, e 78 rotações se tiver discos antigos.
O pré-amplificador phono integrado
O sinal que sai de uma célula é muito fraco. Tem de passar por um pré-amplificador phono antes de chegar ao amplificador ou às colunas. Há três situações:
- o seu amplificador tem uma entrada «phono»: um pré-amplificador integrado no gira-discos não é indispensável;
- o seu amplificador ou as suas colunas ativas só têm entrada de linha: escolha um gira-discos com pré-amplificador integrado ou junte um pré-amplificador externo;
- muitos gira-discos com pré-amplificador integrado permitem desligá-lo, o que deixa a porta aberta a uma evolução.
O Bluetooth
Alguns gira-discos enviam o som sem fios para uma coluna ou uns auscultadores Bluetooth. É prático para uma instalação simples, sem cabos. Saiba apenas que a transmissão sem fios implica uma compressão do sinal: quem procura a melhor qualidade prefere uma ligação por cabo. O ideal é um gira-discos que ofereça as duas opções.
O braço, o contrapeso e o antiskating
O braço suporta a célula e guia a agulha no sulco.
- O contrapeso, na traseira do braço, regula a força de apoio da agulha sobre o disco. O valor certo é indicado pelo fabricante da célula. Se for demasiado baixo, a agulha salta; se for demasiado alto, desgasta o disco.
- O antiskating compensa a tendência do braço para deslizar em direção ao centro do disco.
- O elevador do braço pousa e levanta a agulha com suavidade: muito útil para quem está a começar.
Um gira-discos com contrapeso ajustável pede uma primeira afinação, mas permite trocar de célula mais tarde. Os modelos automáticos ou semiautomáticos, que pousam o braço e o fazem regressar no fim do disco, costumam tranquilizar os principiantes.
A célula e a agulha
A célula transforma as vibrações do sulco em sinal elétrico. Num primeiro gira-discos, vem normalmente instalada e afinada de fábrica, o que é uma verdadeira comodidade. As células de íman móvel (MM) são as mais comuns e a agulha troca-se com facilidade. Informe-se sobre a disponibilidade de agulhas de substituição: o diamante desgasta-se com as horas de audição.
A tampa
Uma tampa protege o prato e o braço do pó. Parece um pormenor, mas facilita muito a manutenção.
As ligações
Por fim, espreite a traseira do gira-discos. Consoante o modelo, encontrará saídas RCA, um terminal de terra e, por vezes, uma saída USB para digitalizar os seus discos. O fio de terra, quando existe, liga-se ao amplificador ou ao pré-amplificador e evita um zumbido de fundo. Confirme que estas saídas correspondem às entradas do seu equipamento, para não descobrir na instalação que falta um cabo ou um adaptador.
Instalar bem o gira-discos
Um bom gira-discos mal instalado soa pior do que um modelo simples bem assente. Há três pontos que contam.
Um móvel estável
A agulha lê variações microscópicas: a mais pequena vibração ouve-se. Coloque o gira-discos num móvel rígido, que não se mexa quando alguém passa ao lado. Evite pousá-lo no mesmo suporte que as colunas, cujas vibrações sobem pelo braço. Um móvel para gira-discos foi pensado precisamente para isso: um tampo livre para o gira-discos e nichos para os discos por baixo.
Um gira-discos nivelado
Um prato inclinado obriga a agulha a trabalhar de esguelha no sulco. Verifique a horizontalidade com um pequeno nível de bolha pousado no prato e acerte com os pés reguláveis do gira-discos, se os tiver, ou calce o móvel.
A altura certa
Pousar o braço, virar o disco, limpá-lo: vai mexer no gira-discos sempre que ouvir música. Um móvel baixo como o Pigalle encaixa facilmente debaixo de uma janela ou ao lado do sofá; um móvel mais alto como o Montmartre, com 89 cm, deixa o gira-discos à altura da mão. Para comparar medidas, consulte o nosso guia de dimensões de gira-discos. Se a sua instalação inclui um amplificador, um móvel hi-fi com nicho reserva-lhe o devido lugar.
Perguntas frequentes
Um gira-discos com pré-amplificador integrado é indispensável?
Não, só se o seu amplificador ou as suas colunas não tiverem entrada phono. Caso contrário, um gira-discos sem pré-amplificador liga-se diretamente à entrada phono.
Correia ou tração direta para começar?
Ambas servem para ouvir em casa. A correia isola bem o prato do motor; a tração direta arranca depressa e não tem correia para substituir.
É possível ligar um gira-discos a uma coluna Bluetooth?
Sim, se o gira-discos tiver Bluetooth. Caso contrário, precisa de uma coluna com entrada por cabo e de um pré-amplificador phono, integrado ou externo.
Onde colocar o gira-discos?
Num móvel estável e nivelado, afastado das colunas, longe do sol e de fontes de calor.







